Os rapazotes e o açougueiro
Dois rapazotes foram a um açougue comprar carne e, enquanto o açougueiro estava distraído, um deles roubou um pé de porco e enfiou-o sob as dobras da veste do outro. Quando o açougueiro deu por fé, começou a procurar o pé de porco e passou a acusar os rapazes. Mas aquele que pegou jurava que não estava com ele e o outro, que estava com o pé de porco, jurava que não o tinha pegado. E o açougueiro, ao perceber a malandragem, disse: “Mas ainda que vocês se safem de mim por meio de falsos juramentos, dos deuses vocês não vão se safar de jeito nenhum!”.
A fábula mostra que a impiedade do perjúrio é a mesma, ainda que sob o disfarce de sofismas.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 450