Esopo 200

O leão doente, o lobo e a raposa

Um velho leão jazia doente estirado numa gruta. Todos os animais fizeram uma visita ao rei, menos a raposa. Foi então que o lobo aproveitou a chance de denunciá-la ao leão, dizendo que ela não tinha a menor consideração por aquele que exercia a autoridade sobre todos os animais e, por isso, não vinha visitá-lo. Mas, justo nesse momento, foi chegando a raposa, que ouviu as palavras finais do lobo. O leão, por conseguinte, começou a rugir para ela. A raposa, no entanto, pediu uma oportunidade de defesa e disse: “E, dentre esses que se reuniram aqui, quem foi que se preocupou com você tanto quanto eu, que andei por toda parte procurando saber dos médicos um tratamento para você e acabei encontrando?”. E, como o leão a mandasse dizer sem demora qual era o tratamento, ela falou: “É só esfolar um lobo vivo e envolver-se com a pele dele ainda quente”. E o lobo, imediatamente, jazeu morto. Então a raposa disse, a rir: “Assim, não se deve instigar o chefe à hostilidade, mas à benevolência!”.

A fábula mostra que aquele que maquina contra os outros reverte para si próprio a maquinação.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 295

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