O náufrago e o mar
Tendo sido arremessado à praia, um náufrago ali jazia, prostrado de fadiga. Pouco depois, levantou-se e, ao olhar o mar, começou a censurá-lo porque ele seduzia os homens com sua aparência tranquila, mas quando os tinha em seu poder se enfurecia e os destruía. Então o mar, assumindo a forma de mulher, lhe disse: “Mas não dirija censuras a mim, meu caro, e sim aos ventos. Por natureza eu sou tal qual você me vê neste momento. Mas eles me assaltam de repente, provocam ondas e me põem em fúria”.
Pois é. Portanto, devemos culpar também nós não aqueles que praticam atos injustos a mando de outros, e sim os que têm autoridade sobre eles.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 388