Esopo 277

O onagro e o burro

Ao ver um burro carregando um pesado fardo, um onagro se pôs a desdenhar de sua escravidão, dizendo: “Eu é que sou afortunado, pois vivo em liberdade, levo a vida sem fastios e tenho nas montanhas pastagem à minha disposição. Você, ao contrário, recebe alimento de outrem e vive continuamente submisso à escravidão e a pancadas”. Aconteceu, porém, que naquela mesma hora surgiu um leão, que nem chegou perto do burro, porque o burriqueiro o acompanhava; mas o onagro, que estava sozinho, ele atacou furiosamente e fez dele seu repasto.

Esta fábula mostra que os insubordinados e inflexíveis caem em desgraça de uma hora para outra, pois se deixam levar pela obstinação e prescindem de qualquer ajuda.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 395

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