O passarinheiro e a perdiz
Já era tarde da noite quando um passarinheiro recebeu um hóspede em casa. E, como não tivesse o que lhe oferecer, avançou sobre sua perdiz domesticada, e estava prestes a sacrificá-la quando ela começou a chamá-lo de mal-agradecido, pois inúmeras vezes lhe tinha sido útil, sempre que atraía suas semelhantes para as mãos dele. E agora ele ia matá-la!? Então o passarinheiro rebateu: “Mas é bem por isso que vou matar você, pois nem suas semelhantes você poupa!”.
A fábula mostra que aqueles que traem os parentes conquistam o ódio não só dos injustiçados, como também dos que se beneficiam da traição.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 406