Esopo 311

A pulga e o atleta

Certa vez uma pulga, num salto, pousou no dedo do pé de um atleta que se exibia num desfile. Saltitante, a pulga sapecou-lhe uma mordida. O atleta se enfureceu e preparou as unhas, pronto para esmagar a pulga, quando ela, num impulso, deu o salto costumeiro e desapareceu, escapando da morte. Ele, então, se lamentou, dizendo: “Ó Héracles, se a coisa é assim contra uma pulga, que amparo terei de você contra meus adversários?”.

Pois é. Portanto, a fábula nos ensina que não devemos de pronto invocar os deuses nas questões insignificantes e inofensivas, mas só nas emergências.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 435

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