Esopo 148

O golfinho e o macaco

Os navegantes têm o costume de levar cães malteses e macacos para distraí-los na viagem. Assim, uma pessoa que saía para navegar, trouxe consigo um macaco. Mas, quando chegaram perto do Súnion, o promontório da Ática, desabou uma violenta tempestade. O navio naufragou e, como todos se puseram a nadar, o macaco também mergulhou. Então um golfinho o avistou e, julgando que ele fosse um homem, colocou-se sob ele e, após emergir, carregou-o pelo mar. Quando estavam próximos do Pireu, o porto dos atenienses, o golfinho perguntou ao macaco se ele era ateniense de origem. O macaco respondeu que sim, e que era de família ilustre. Depois o golfinho perguntou-lhe se também conhecia o Pireu. E o macaco, achando que ele estava se referindo a um homem, respondeu que sim, e disse que o Pireu era seu amigo íntimo. Então o golfinho, indignado com esse disparate, deu um mergulho e o afogou.

A fábula é oportuna para homens mentirosos.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 224

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