Esopo 152

A gralha e o corvo

Uma gralha sentia inveja de um corvo porque ele, por meio de augúrios, fornecia presságios aos humanos e anunciava o futuro, e, por isso, eles o tomavam como testemunha. Então a gralha, no desejo de alcançar os mesmos privilégios, assim que avistou alguns viandantes se aproximando, plantou-se numa árvore e lá ficou grasnando bem alto. Impressionados com aquela voz, os viandantes se voltaram para elas, mas um deles tomou a palavra e disse: “Ora, amigos, vamos embora! É só uma gralha! E seus gritos não fornecem presságios!”.

Assim, também, os homens que competem com os mais fortes, além de não se igualarem a eles, ainda se expõem a chacota.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 229

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