Esopo 182

As idades do homem

Quando Zeus fez o homem, deu a ele uma vida breve. Mas o homem usou seu conhecimento e, quando estava próximo o inverno, fabricou para si uma casa e lá ficou vivendo. E, certa vez, quando fez um frio rigoroso e Zeus fez chover, o cavalo não pôde resistir e foi correndo à casa do homem pedir-lhe abrigo. O homem disse que só o atenderia se ele lhe cedesse uma parte de seus anos de vida. O cavalo, então, cedeu-a de bom grado. Não muito tempo depois, apareceu também o boi, pois nem ele estava podendo suportar a borrasca. Do mesmo modo, o homem disse que o acolheria se ele primeiro lhe entregasse um certo número de seus anos de vida. O boi, então, deu uma parte e foi acolhido. Por último chegou o cão, morrendo de frio, e, tendo partilhado também uma porção de seu tempo de vida, conseguiu abrigo. O resultado disso é que os homens, quando estão no tempo concedido por Zeus, são puros e bons, mas quando vivem os anos do cavalo são fanfarrões e empertigados; quando chegam aos anos do boi, tornam-se dominadores; e quando completam o tempo do cão ficam irascíveis e resmungões.

Uma pessoa poderia usar esta fábula para um velho irascível e intratável.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 271-272

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