Esopo 183

Os inimigos

Dois inimigos entraram num mesmo navio para fazer uma viagem. E, como eles desejavam ficar bem longe um do outro, um foi correndo tomar assento na popa, enquanto o outro ficou na proa. Foi então que sobreveio uma tempestade violenta e, como o navio ameaçasse ir a pique, aquele que estava sentado na popa perguntou ao piloto que parte do navio corria o risco de afundar primeiro. Ao ser informado de que era a proa, disse: “Mas, no que me toca, a morte deixa de ser uma coisa tão triste, já que pelo menos verei meu inimigo se afogar antes de mim!”.

Assim, alguns homens, movidos por alguma hostilidade contra o próximo, optam por sofrerem eles próprios alguma desgraça, em vista da chance de verem também o outro se desgraçar.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 273

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