A corça zarolha
Uma corça zarolha foi parar numa praia e ali ficou pastando, com o olho bom voltado para a terra, atenta ao ataque dos caçadores, e com o estropiado voltado para o mar, do qual ela não suspeitava nenhuma ameaça. Mas certas pessoas que navegavam por ali, assim que a viram, lançaram dardos contra ela. E a corça, expirando, disse para si: “Que desditosa sou eu, que me resguardava da terra como traiçoeira, mas encontrei muito mais nocividade no mar, no qual busquei refúgio”.
Assim, muitas vezes, ao contrário de nossa suposição, as situações que parecem difíceis se revelam vantajosas, e as consideradas favoráveis, perigosas.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 168