Esopo 134

O gaio e as pombas

Ao ver pombas bem tratadas num pombal, um gaio se branqueou e foi participar do modo de viver delas. E, enquanto ficava em silêncio, as pombas o aceitavam, crentes de que ele era uma delas. Mas no exato momento em que o gaio se distraiu e soltou um grito, elas o enxotaram, pois estranharam a voz. E ele, sem ter conseguido alimentar-se, voltou novamente para junto dos gaios. Mas eles não o reconheceram por causa de sua cor e o barraram como companheiro de refeição. Desse modo, o gaio, que tinha dois interesses, não alcançou nenhum.

Pois é. Portanto, é nós nos contentemos com nossas posses, preciso que também considerando que a ambição, além de não servir para nada, muitas vezes também dissipa nossos bens.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 204

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