O gaio fugido
Uma pessoa apanhou um gaio e, depois de amarrar os pés dele com um cordão de linho, entregou-o ao filho. O gaio, porém, não suportava o modo de vida dos homens e, assim que teve um pouco de liberdade, fugiu de volta para o ninho. Mas o cordão se enroscou nos galhos e ele, sem conseguir voar, disse para si, ao morrer: “Pobre de mim! Por não aceitar a escravidão junto dos homens, privei-me, sem perceber, também da vida”.
A fábula cairia bem para aqueles homens que, no desejo de se defender de perigos banais, caíram, sem se dar conta, em desgraças muito maiores.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 208