O cão, o galo e a raposa
Um cão e um galo se tornaram amigos quando seguiam juntos por uma estrada. Ao cair da noite, chegaram a um bosque e, enquanto o galo subiu numa árvore e pousou num galho, o cão adormeceu numa fenda ao pé da árvore. A noite passou e, ao nascer da aurora, o galo se pôs a soltar sua gritaria, como de costume. Então uma raposa o ouviu e, no desejo de abocanhá-lo, se aproximou e ficou parada sob a árvore, gritando para ele: “Você é uma ave boa e de utilidade para os homens. Desça, para cantarmos serenatas e nos alegrarmos juntos”. E ele disse, em resposta: “Amiga, vá aí embaixo, diante da raiz da árvore, e chame o vigia, para ele bater na porta”. E, quando a raposa foi chamá-lo, num átimo o cão saltou sobre ela, agarrou-a e fê-la em pedaços.
A fábula mostra que assim, também, os homens sensatos, quando lhes advém alguma desgraça, com facilidade se posicionam para lutar contra ela.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 130