A raposa e a cegonha
A ninguém se deve prejudicar; se alguém, porém, fizer algum dano,
a fabulazinha adverte que deve ser castigado na mesma moeda.
Diz-se que uma raposa convidou primeiro uma cegonha
para um jantar e lhe serviu num prato raso
um caldo líquido, que de nenhum modo 5
a cegonha faminta poderia degustar.
Quando esta retribuiu o convite à raposa, serviu uma garrafa
cheia de alimento triturado; inserindo nela o seu bico,
ela própria se sacia e atormenta de fome sua convidada.
Enquanto esta lambia em vão o pescoço da garrafa, 10
a ave peregrina, pelo que ouvimos, falou assim:
“Cada um deve suportar com igual ânimo os seus próprios exemplos.”
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.