Fedro 1.31

O gavião e as pombas

Quem confia a própria defesa a um homem ímprobo,

buscando proteção, encontra a ruína.

Como as pombas tivessem muitas vezes fugido do gavião

e evitado a morte graças à rapidez de suas asas,

o rapinador mudou seu plano para a astúcia 5

e enganou a espécie indefesa com o seguinte dolo:

“Por que preferis levar uma vida cheia de preocupação

em vez de, firmada uma aliança, me nomear vosso rei,

para que, seguras, eu vos proteja de toda injúria?”

Elas, confiantes, se entregam ao gavião; 10

este, tendo obtido o reino, começou a comê-las uma a uma

e a exercer a autoridade com suas cruéis garras.

Então uma das que restavam: “Merecidamente somos punidas.”

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Deixe um comentário