Fedro 1.1

O lobo e o cordeiro

A um mesmo rio tinham vindo um lobo e um cordeiro,

compelidos pela sede. O lobo estava mais acima

e, bem mais abaixo, o cordeiro. Então, incitado por sua goela

perversa, o bandido suscitou um motivo de briga.

“Por que”, diz ele, “me tornaste suja a água, 5

que estou bebendo?” O lanígero, em resposta, morrendo de medo:

“Como posso, pergunto, fazer isso de que te queixas, lobo?

É de ti para os meus goles que a água corre”.

Repelido pela força da verdade, diz aquele:

“Há seis meses falaste mal de mim”. 10

Respondeu o cordeiro: “Mas eu nem era nascido”.

“O teu pai, por hércules”, diz aquele, “falou mal de mim”.

E assim, o agarra e dilacera com injusta morte.

Esta fábula foi escrita por causa daqueles homens

que. com falsos motivos, oprimem os inocentes. 15

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

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