O lobo e o cordeiro
A um mesmo rio tinham vindo um lobo e um cordeiro,
compelidos pela sede. O lobo estava mais acima
e, bem mais abaixo, o cordeiro. Então, incitado por sua goela
perversa, o bandido suscitou um motivo de briga.
“Por que”, diz ele, “me tornaste suja a água, 5
que estou bebendo?” O lanígero, em resposta, morrendo de medo:
“Como posso, pergunto, fazer isso de que te queixas, lobo?
É de ti para os meus goles que a água corre”.
Repelido pela força da verdade, diz aquele:
“Há seis meses falaste mal de mim”. 10
Respondeu o cordeiro: “Mas eu nem era nascido”.
“O teu pai, por hércules”, diz aquele, “falou mal de mim”.
E assim, o agarra e dilacera com injusta morte.
Esta fábula foi escrita por causa daqueles homens
que. com falsos motivos, oprimem os inocentes. 15
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.