O cervo junto à fonte
Esta narração é testemunha de que, muitas vezes, se revelam
mais úteis as coisas que desprezas do que as louvadas.
Um cervo, quando bebia junto à fonte, parou
e viu na água a sua imagem.
Aí, enquanto louvava admirando seus ramosos chifres 5
e criticava a demasiada finura de suas pernas,
aterrado subitamente pelas vozes dos caçadores,
pôs-se a fugir pelo campo e com sua corrida ligeira
enganou os cães. Então o bosque abrigou o animal
e nele, impedido pelos chifres retidos 10
começou a ser dilacerado pelas cruéis mordidas dos cães.
Diz-se que então, enquanto morria, emitiu esta voz:
“Ó desgraçado de mim! que só agora entendo
quão útil foi para mim o que eu tinha desprezado
e o que eu tinha louvado quanto sofrimento me trouxe.” 15
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.