Fedro 1.13

A raposa e o corvo

Quem se alegra em ser louvado com palavras enganosas

normalmente paga a pena com vergonhosa penitência.

Como um corvo, pousado no alto de uma árvore,

quisesse comer um queijo, roubado de uma janela,

uma raposa o viu e em seguida começou a falar assim: 5

“Ó que brilho é o de tuas penas, corvo!

Que grande formosura trazes no corpo e no rosto!

Se tivesses voz, nenhuma ave seria superior a ti.”

E de tolo aquele, querendo ostentar a voz,

deixou cair da boca o queijo, que rapidamente 10

a dolosa raposa arrebatou com seus ávidos dentes.

Só então é que a iludida estupidez do corvo gemeu.

{Com este fato é provado o quanto vale o talento;

A sabedoria sempre prevalece sobre a coragem.}

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

Deixe um comentário