Dois burros e os ladrões
Iam dois burros carregados de fardos;
um levava cestos com dinheiro,
o outro, sacos estufados de muita cevada.
Enquanto aquele, rico por sua carga, se destaca pela cabeça erguida
e ostenta no pescoço um sonoro sininho; 5
o companheiro segue num passo silencioso e tranquilo.
De repente, surgem de emboscada ladrões
e em meio ao ataque, ferem com a espada o mulo,
roubam as moedas e desprezam a cevada sem valor.
Então, como o espoliado chorasse seus infortúnios, 10
diz o outro: “Na verdade, alegro-me de ter sido desprezado;
pois nada perdi, nem sofri ferimento algum.”
Por este argumento, a pobreza dos homens é segura,
as grandes riquezas estão sujeitas ao perigo.
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.