Fedro 2.7

Dois burros e os ladrões

Iam dois burros carregados de fardos;

um levava cestos com dinheiro,

o outro, sacos estufados de muita cevada.

Enquanto aquele, rico por sua carga, se destaca pela cabeça erguida

e ostenta no pescoço um sonoro sininho; 5

o companheiro segue num passo silencioso e tranquilo.

De repente, surgem de emboscada ladrões

e em meio ao ataque, ferem com a espada o mulo,

roubam as moedas e desprezam a cevada sem valor.

Então, como o espoliado chorasse seus infortúnios, 10

diz o outro: “Na verdade, alegro-me de ter sido desprezado;

pois nada perdi, nem sofri ferimento algum.”

Por este argumento, a pobreza dos homens é segura,

as grandes riquezas estão sujeitas ao perigo.

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

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