Bábrio 1.2

O lavrador que perdeu seu alvião

Um lavrador que cavoucava um vinhedo

perdeu o alvião e se pôs a procurá-lo − 

vai que um dos roceiros dali o tivesse afanado!

Cada um deles negava. Não tendo o que fazer,

levou todos à cidade, para fazê-los prestar juramento; 5

pois imaginam que os deuses habitantes dos campos

são ingênuos e que os que moram cercados de muros

são atilados e em tudo estão de olho.

Quando, então, após adentrarem as portas, numa fonte

depuseram os embornais e começaram a lavar os pés, 10

um arauto anunciava mil dracmas de recompensa 

para uma notícia sobre os despojos subtraídos do deus.

Então, ao ouvir isso, o lavrador falou: “Vim mesmo à toa!

pois como um deus assim saberia de outros ladrões,

se ele não tem noção nem dos gatunos dele próprio, 15

e paga para saber se algum homem os conhece?”

[(A fábula diz) que é preciso desconfiar daqueles que prometem coisas de que não são donos.]

[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]

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