O lavrador que perdeu seu alvião
Um lavrador que cavoucava um vinhedo
perdeu o alvião e se pôs a procurá-lo −
vai que um dos roceiros dali o tivesse afanado!
Cada um deles negava. Não tendo o que fazer,
levou todos à cidade, para fazê-los prestar juramento; 5
pois imaginam que os deuses habitantes dos campos
são ingênuos e que os que moram cercados de muros
são atilados e em tudo estão de olho.
Quando, então, após adentrarem as portas, numa fonte
depuseram os embornais e começaram a lavar os pés, 10
um arauto anunciava mil dracmas de recompensa
para uma notícia sobre os despojos subtraídos do deus.
Então, ao ouvir isso, o lavrador falou: “Vim mesmo à toa!
pois como um deus assim saberia de outros ladrões,
se ele não tem noção nem dos gatunos dele próprio, 15
e paga para saber se algum homem os conhece?”
[(A fábula diz) que é preciso desconfiar daqueles que prometem coisas de que não são donos.]
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]