O cervo na fonte
Um cervo adulto de patas velozes e chifres vistosos
pôs-se a beber água de um lago sereno.
Ao atentar ali em sua própria sombra,
entristeceu-se por causa do casco e das patas,
mas dos chifres, tão belos, envaideceu-se muito. 5
Mas ali se achava Nêmesis, que vela pelo mundo terreno.
E, de fato, de repente ele avistou caçadores
munidos de redes e cadelas de bom faro.
Ao vê-los, pôs-se em fuga, sem estancar a sede,
e cruzou vasta planície com lépidos passos. 10
Mas tão logo penetrou em densa mata,
enroscou os chifres nos arbustos e acabou caçado.
“O que é isso?”, disse ele, “Pobre de mim, que engano!
Salvaram-me as patas, das quais eu sentia vergonha,
e traíram-me os chifres, dos quais eu me ufanava.” 15
[Quando fizeres um exame de teus próprios negócios,
por antecipação não consideres segura coisa nenhuma
nem, ao contrário, a menosprezes e nem desanimes.
Às vezes, as convicções nos causam frustrações.]
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]