Bábrio 1.43

O cervo na fonte

Um cervo adulto de patas velozes e chifres vistosos

pôs-se a beber água de um lago sereno.

Ao atentar ali em sua própria sombra,

entristeceu-se por causa do casco e das patas,

mas dos chifres, tão belos, envaideceu-se muito. 5

Mas ali se achava Nêmesis, que vela pelo mundo terreno.

E, de fato, de repente ele avistou caçadores

munidos de redes e cadelas de bom faro.

Ao vê-los, pôs-se em fuga, sem estancar a sede,

e cruzou vasta planície com lépidos passos. 10

Mas tão logo penetrou em densa mata,

enroscou os chifres nos arbustos e acabou caçado.

“O que é isso?”, disse ele, “Pobre de mim, que engano!

Salvaram-me as patas, das quais eu sentia vergonha,

e traíram-me os chifres, dos quais eu me ufanava.” 15

     [Quando fizeres um exame de teus próprios negócios,

por antecipação não consideres segura coisa nenhuma

nem, ao contrário, a menosprezes e nem desanimes.

Às vezes, as convicções nos causam frustrações.]

[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]

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