O pastor e as cabras selvagens
Zeus estava nevando. Então um pastor, fugindo
para uma gruta desocupada, tangia
as cabras vestidas de branco pela espessa neve.
Mas ao encontrar ali cabras selvagens chifrudas
que se enfiaram lá mais rápido, mais numerosas
que as que ele próprio levava, e maiores e mais fortes,
para estas ia lançando um ramo que trazia da floresta,
já as suas ele deixou passando grande fome.
E quando o tempo abriu, essas ele encontrou mortas
enquanto aquelas não ficaram ali, mas deram no pé
em busca de mata impenetrável em áridos montes.
Então o pastor, merecedor de riso, foi para casa
sem cabras; esperançoso de maiores vantagens,
não usufruiu nem das que ele tinha inicialmente.
[A fábula nos ensina a jamais descuidar dos familiares, principalmente por causa de uma vantagem que é incerta.]
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]