Bábrio 1.6

O pescador e o peixinho

Um pescador que remexia a orla toda do mar

e preservava a doce vida com uma vara fina,

certa vez pescou com a linha de crina um peixe

pequeno, não dos viçosos para a frigideira.

Então ele, debatendo-se, lhe suplicava assim: 5

“Qual será o teu lucro? ou, que preço encontrarás?

Pois não estou formado; pelo contrário foi anteontem

que junto a esta rocha a mãe lampreia me expeliu.

Agora, então, deixa-me ir, não me mates à toa.

E assim que eu, empanturrado de algas marinhas, 10

me tornar grande, apropriado para ricos jantares,

tu virás então aqui, no futuro, e me apanharás.”

Tais coisas murmurando ele suplicava, debatendo-se,

mas não havia meio de sensibilizar o velho,

que, trespassando-o com um caniço agudo, disse: 15

“Quem não conservou as pequenas coisas, mas seguras,

é frívolo, se tentar caçar coisas invisíveis.”

[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]

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