O pescador e o peixinho
Um pescador que remexia a orla toda do mar
e preservava a doce vida com uma vara fina,
certa vez pescou com a linha de crina um peixe
pequeno, não dos viçosos para a frigideira.
Então ele, debatendo-se, lhe suplicava assim: 5
“Qual será o teu lucro? ou, que preço encontrarás?
Pois não estou formado; pelo contrário foi anteontem
que junto a esta rocha a mãe lampreia me expeliu.
Agora, então, deixa-me ir, não me mates à toa.
E assim que eu, empanturrado de algas marinhas, 10
me tornar grande, apropriado para ricos jantares,
tu virás então aqui, no futuro, e me apanharás.”
Tais coisas murmurando ele suplicava, debatendo-se,
mas não havia meio de sensibilizar o velho,
que, trespassando-o com um caniço agudo, disse: 15
“Quem não conservou as pequenas coisas, mas seguras,
é frívolo, se tentar caçar coisas invisíveis.”
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]