As abelhas e os zangões e a vespa juiz
As abelhas tinham feito seus favos no alto de um carvalho.
Os zangões preguiçosos diziam que eram deles.
O litígio foi levado ao foro, com a vespa de juiz;
Esta, uma vez que conhecia muito belamente ambos os gêneros,
propôs para as duas partes esta lei: 5
“Vosso corpo não é diferente e a cor é igual,
de modo que, com razão, o caso resultou em completa dúvida.
Mas, para que meu escrúpulo não cometa um erro por imprudência,
tomai as colmeias e vertei vossa produção nas ceras,
para que do sabor do mel e da forma do favo, 10
apareça o autor das coisas de que se trata agora”.
Os zangões recusam, às abelhas a condição agrada.
Então aquela apresentou esta sentença:
“Está claro quem não pode fazer e quem fez.
Por isso restituo às abelhas o seu fruto”. 15
Eu teria passado esta fábula em silêncio,
se os zangões não tivessem recusado o trato combinado.
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.