Fedro 3.14

Sobre o divertimento e a seriedade

Um certo ateniense, tendo visto Esopo

numa turma de meninos jogando com nozes, parou

e riu como de um louco. Assim que o velho, mais

gozador do que objeto de gozação, percebeu isso,

pôs no meio da rua  um arco desarmado: 5

“Ei, sabido”, diz ele, “explica o que eu fiz”.

Acorre o povo. Aquele se esforça durante muito tempo

e não entende a causa da questão posta.

Por último, entrega os pontos. Então o sábio, vitorioso:

“Rapidamente romperás o arco, se o tiveres sempre esticado; 10

mas se o afrouxares, será útil quando quiseres”.

Assim, de vez em quando, devem ser dados divertimentos ao espírito,

para que ele volte a ti melhor para pensar.

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

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