Fedro 4.4

O cavalo e o javali

Um javali, remexendo-se na água, sujou o vau

onde o cavalo tinha por costume matar a sede.

Daí surgiu o litígio. O de pés sonantes, irado com a fera,

pediu ajuda ao homem; levando este em suas costas,

voltou na direção do inimigo. Dizem que o cavaleiro, 5

depois que o matou com dardos, falou assim:

“Alegro-me de ter levado auxílio às tuas súplicas;

pois apanhei uma presa e aprendi o quanto és útil”.

E assim obrigou-o a suportar, contra a vontade, os freios.

Então ele, abatido: “Enquanto buscava louco 10

a vingança de uma pequena coisa, encontrei a escravidão”.

Esta fábula advertirá os iracundos de que é melhor

ser impunemente lesado do que se entregar a outrem.

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

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