O cavalo e o javali
Um javali, remexendo-se na água, sujou o vau
onde o cavalo tinha por costume matar a sede.
Daí surgiu o litígio. O de pés sonantes, irado com a fera,
pediu ajuda ao homem; levando este em suas costas,
voltou na direção do inimigo. Dizem que o cavaleiro, 5
depois que o matou com dardos, falou assim:
“Alegro-me de ter levado auxílio às tuas súplicas;
pois apanhei uma presa e aprendi o quanto és útil”.
E assim obrigou-o a suportar, contra a vontade, os freios.
Então ele, abatido: “Enquanto buscava louco 10
a vingança de uma pequena coisa, encontrei a escravidão”.
Esta fábula advertirá os iracundos de que é melhor
ser impunemente lesado do que se entregar a outrem.
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.