Fedro 5.4

O burro e o porquinho.

Após ter imolado um cachaço ao venerável Hércules,

a quem devia uma promessa por sua salvação, um sujeito

ordenou que fosse posto ao burrinho as sobras da cevada.

Este, tendo-as rejeitado, falou assim:

“Com todo prazer eu desejaria essa comida, 5

se quem foi alimentado com ela não tivesse sido degolado”.

Dissuadido pela reflexão desta fábula

eu sempre evitei o lucro perigoso.

Mas dizes: “Os que roubaram riqueza, as têm”.

Eia, contemos os que, depois de presos, morreram: 10

descobrirás que é maior a turma dos punidos.

A temeridade é um bem para poucos e um mal para muitos.

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

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