Prólogo
Fábula, aliás, ó filho do rei Alexandre,
é invenção de antigos homens sírios,
que viveram outrora no tempo de Nino e de Belo.
O primeiro, dizem, que as contou a filhos de gregos
foi o sábio Esopo; também aos líbios contou 5
fábulas Cibisses. Mas eu em renovada musa
apresento o mitiambo: com cabresto de ouro
equipei-o, como a um cavalo hoplita.
Tendo sido eu o primeiro a abrir a porta,
outros adentraram, e de musa mais douta 10
poesias produzem semelhantes a enigmas,
versados em nada além do que eu conheço.
Eu, ao contrário, fabulo em linguagem clara,
e dos iambos os dentes não agudizo;
antes, os aguilhões eu temperei bem e amansei, 15
e, pela segunda vez, é para ti o canto deste livro.
[Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti (2022)]