Fedro 1.26

A raposa e a cegonha

A ninguém se deve prejudicar; se alguém, porém, fizer algum dano,

a fabulazinha adverte que deve ser castigado na mesma moeda.

Diz-se que uma raposa convidou primeiro uma cegonha

para um jantar e lhe serviu num prato raso

um caldo líquido, que de nenhum modo 5

a cegonha faminta poderia degustar.

Quando esta retribuiu o convite à raposa, serviu uma garrafa

cheia de alimento triturado; inserindo nela o seu bico,

ela própria se sacia e atormenta de fome sua convidada.

Enquanto esta lambia em vão o pescoço da garrafa, 10

a ave peregrina, pelo que ouvimos, falou assim:

“Cada um deve suportar com igual ânimo os seus próprios exemplos.”

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

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