A doninha e o homem
Uma doninha, apanhada por um homem, querendo escapar
da morte iminente, diz: “Por favor, me poupa,
pois sou eu que te limpo a casa dos nocivos ratos.”
Respondeu aquele: “Se fizesses isso por minha causa,
seria digno de gratidão e eu te daria o perdão que suplicas. 5
Agora, visto que trabalhas para desfrutares dos restos
que os ratos vão roer e, ao mesmo tempo, devorares os próprios ratos,
não queiras me convencer a aceitar um favor inexistente.”
E, tendo assim falado, matou a malvada.
Devem reconhecer que isto foi dito para si aqueles 10
cuja utilidade particular serve a eles próprios
e se gabam perante os incautos um vão merecimento.
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.