A raposa e o corvo
Quem se alegra em ser louvado com palavras enganosas
normalmente paga a pena com vergonhosa penitência.
Como um corvo, pousado no alto de uma árvore,
quisesse comer um queijo, roubado de uma janela,
uma raposa o viu e em seguida começou a falar assim: 5
“Ó que brilho é o de tuas penas, corvo!
Que grande formosura trazes no corpo e no rosto!
Se tivesses voz, nenhuma ave seria superior a ti.”
E de tolo aquele, querendo ostentar a voz,
deixou cair da boca o queijo, que rapidamente 10
a dolosa raposa arrebatou com seus ávidos dentes.
Só então é que a iludida estupidez do corvo gemeu.
{Com este fato é provado o quanto vale o talento;
A sabedoria sempre prevalece sobre a coragem.}
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.