A gralha presunçosa e o pavão
Para que ninguém se meta a vangloriar-se com bens alheios
mas, antes, procure levar a vida conforme sua própria condição,
Esopo nos apresentou este exemplo.
Uma gralha, impada de vão orgulho,
pegou do chão as penas que tinham caído de um pavão 5
e se enfeitou. Em seguida, desprezando os seus,
se misturou a um formoso bando de pavões.
Estes, porém, arrancam as penas da ave descarada
e a afugentam a bicadas. Duramente desancada, a gralha,
abatida, pôs-se a voltar para junto dos de sua espécie; 10
repelida por eles, teve de aguentar uma triste infâmia.
Então uma daquelas que ela tinha desprezado antes:
“Se tivesses ficado contente com nossas moradas
e aceitado conformar-se com o que a natureza te dera,
nem terias sofrido aquela afronta 15
nem a tua desgraça sentiria esta repulsa”.
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.