O pavão para Juno a respeito de sua voz
O pavão veio a Juno, queixando-se com indignação
porque ela não lhe atribuiu o canto do rouxinol;
que aquele era admirável para todas as aves
e que ele era zombado assim que soltava sua voz.
Então, para consolá-lo, disse a deusa: 5
“Mas vences na beleza, vences no tamanho;
o brilho da esmeralda resplandece em teu pescoço,
e tuas penas pintadas estende uma cauda de pedras preciosas”.
“De que me vale”, diz, “a beleza muda, se o som me vence?”
“As qualidades vos foram dadas pelo arbítrio dos fados; 10
a ti, a beleza, as forças à águia, ao rouxinol o canto,
o augúrio ao corvo, à gralha os presságios favoráveis;
e todas as aves estão contentes com seus próprios dotes.
Não queiras pretender o que não te foi dado,
para que tua esperança frustrada não acabe em queixa”. 15
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.