Sobre o divertimento e a seriedade
Um certo ateniense, tendo visto Esopo
numa turma de meninos jogando com nozes, parou
e riu como de um louco. Assim que o velho, mais
gozador do que objeto de gozação, percebeu isso,
pôs no meio da rua um arco desarmado: 5
“Ei, sabido”, diz ele, “explica o que eu fiz”.
Acorre o povo. Aquele se esforça durante muito tempo
e não entende a causa da questão posta.
Por último, entrega os pontos. Então o sábio, vitorioso:
“Rapidamente romperás o arco, se o tiveres sempre esticado; 10
mas se o afrouxares, será útil quando quiseres”.
Assim, de vez em quando, devem ser dados divertimentos ao espírito,
para que ele volte a ti melhor para pensar.
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.