Sobre Simônides
O homem sábio sempre tem em si as riquezas.
Simônides, que escreveu notáveis poemas líricos,
para mais facilmente aliviar sua probreza,
começou a percorrer as ilustres cidades da Ásia,
cantando o louvor dos vencedores, em troca de pagamento. 5
Depois que tornou-se rico com esse tipo de ganho,
quis voltar para sua pátria por via marítima;
ele tinha nascido, segundo dizem, na ilha de Ceos.
Subiu em um navio que uma terrível tempestade
junto com sua velhice destruíram no meio do mar. 10
Uns recolhem suas bolsas, outros suas coisas valiosas,
sustentáculo de sua vida. Um certo sujeito muito curioso:
“Simônides, tu não pegas nada de teus bens?”
“Tudo o que é meu está comigo”, diz. Poucos se salvam a nado,
pois a maioria deles pereceu, afundados pelo peso da carga. 15
Chegam os ladrões, roubam o que cada um salvou,
deixam-nos pelados. Por acaso, perto de Clazômenas
havia uma antiga cidade, para onde os náufragos se dirigiram.
Aí, um certo sujeito dedicado ao estudo das letras,
que tinha lido muitas vezes os versos de Simônides 20
e era o maior admirador dele, mesmo quando ausente,
reconhecendo-o por sua fala, com o maior entusiasmo
acolheu-o em sua casa; proveu o homem de veste,
dinheiro, criados. Os demais levam seus quadros,
pedindo comida. Assim que por acaso os viu, 25
Simônides diz: “Eu disse que tudo o que é meu
está comigo; o que vós pegastes pereceu”.
Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.