Fedro 5.2

Os viajantes e o ladrão

Como dois soldados tivessem deparado com um ladrão,

um fugiu, o outro, porém, ficou

e se defendeu com sua forte destra.

Derrubado o ladrão, o companheiro medroso acorre

e saca da espada; em seguida, jogando a capa para trás, 5

diz: “Deixa comigo; já cuidarei que ele sinta

com quem se meteu”. Aí, o que tinha lutado:

“Quisera eu que, ao menos, me tivesses ajudado com essas palavras;

eu teria sido mais resoluto, julgando-as verdadeiras.

Agora guarda tua espada e tua língua igualmente inúteis. 10

Que possas enganar os outros que te desconhecem;

eu, que constatei com quanto empenho foges,

sei o quanto não se deve acreditar em teu valor”.

Esta história deve ser aplicada àquele

que, numa situação favorável, é valente, numa incerta, é covarde. 15

Como citar este documento:
FEDRO. Fábulas esópicas. Tradução de José Dejalma Dezotti. Edição digital organizada por Lucas Consolin Dezotti. Araraquara: s.n., 2023. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.7763266. Acesso em 23.mar.2023.

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