Esopo 322

A raposa cotó

Depois que teve o rabo amputado numa armadilha, uma raposa se encheu de vergonha e começou a achar a vida insuportável. E concluiu que precisava induzir também as outras raposas ao mesmo estado, para ocultar, sob o padecimento comum, seu próprio defeito. Então, reuniu todas as raposas e incentivou-as a cortarem o rabo, dizendo que ele era não só um estorvo, mas também um peso supérfluo grudado nelas. Uma delas, porém, retrucou: “Ei, minha cara, mas se não lhe conviesse, você não nos daria esse conselho”.

Esta fábula se aplica àqueles que dão conselhos ao próximo, pensando não no bem do outro, mas em seus próprios interesses.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 455

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