As rãs que pediam um rei
Chateadas por viverem sem governo, as rãs enviaram a Zeus embaixadores pedindo que lhes desse um rei. E o deus, vendo como elas eram ingênuas, lançou no brejo um pedaço de pau. De imediato, as rãs, sobressaltadas com o barulho, se mandaram para o fundo do brejo. Mas depois, como o pau não se mexia, elas voltaram à tona e chegaram a tal ponto de descaso que trepavam nele e lá ficavam empoleiradas. Decepcionadas com um rei como aquele, as rãs foram a Zeus uma segunda vez para pedir que lhes trocasse o governante, pois aquele primeiro era muito bonachão. Foi aí que Zeus perdeu a paciência e lhes mandou uma cobra-d’água, que agarrou e devorou todas elas.
A fábula mostra que é melhor ter chefes indolentes e sem maldade do que chefes turbulentos e maldosos.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 443