Esopo 274

Os navegantes

Um grupo de pessoas entrou num barco e saíram navegando. Quando estavam em alto-mar, veio uma tempestade descomunal e por pouco o navio não soçobrou. Então, um dos navegantes se pôs a rasgar suas vestes e a invocar, entre soluços e gemidos, os deuses pátrios, prometendo dedicar-lhes oferendas de ação de graças, caso eles o salvassem. Mas, assim que cessou a tempestade e retornou a bonança, eles se entregaram à algazarra, dançando e pulando, já que estavam livres do perigo inesperado. E o piloto, que se mantinha cauteloso, disse: “Nós temos que comemorar, amigos, mas sem esquecer que, se calhar, a tempestade ocorrerá novamente”.

A fábula ensina a não nos apegarmos demasiado nos sucessos, tendo em mente a inconstância da fortuna.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 389

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