Esopo 270

A mulher e o marido bêbado

Uma mulher tinha um marido bêbado e, no desejo de livrá-lo do vício, bolou o seguinte plano: ao notar que ele estava grogue de bebida e insensível feito um morto, ela o ergueu nos ombros, levou-o ao cemitério e, depois de acomodá-lo no chão, foi embora. Quando calculou que ele já estivesse novamente sóbrio, voltou lá e começou a bater na porta do cemitério. “Quem está batendo?”, perguntou ele. E a mulher: “Sou eu, a pessoa que traz comida para os mortos!”. E ele: “Ô, fulano, não me ofereça de comer, e sim de beber. Pois você me dá aflição ao fazer-me lembrar de comida, e não de bebida!”. E ela, dando golpes no peito, disse: “Ai de mim, desgraçada! De nada adiantou meu plano. Você, marido, não só não aprendeu a lição, como ainda ficou pior, pois seu vício já se tornou um hábito”.

A fábula mostra que não se deve persistir nas más ações, pois há um momento em que, mesmo que não se queira, o hábito se impõe ao homem.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 383

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