O menino ladrão e sua mãe
Um menino roubou, na escola, a lousinha de seu colega de classe e levou-a para sua mãe. E ela não o repreendeu; ao contrário, até o elogiou. Então, numa segunda oportunidade, ele roubou um manto e levou-o para a mãe. E, mais uma vez, ela o aceitou. O tempo foi passando e o menino foi crescendo e, quando se tornou um rapaz, já estava empreendendo roubos mais vultosos. Certa vez, porém, apanharam-no em flagrante e, enquanto o levavam, de mãos amarradas, para o carrasco, a mãe seguia atrás, esmurrando o próprio peito. Foi então que o rapaz pediu: “Eu queria falar uma coisa no ouvido de minha mãe”. Ela, mais do que depressa, se achegou a ele, que, com uma mordida, lhe arrancou a orelha. E, quando ela se pôs a recriminar sua impiedade, ele disse: “Se você tivesse me dado uma surra naquele dia em que eu lhe trouxe aquela primeira lousinha que roubei, eu não teria chegado a esse ponto de ser conduzido à morte”.
A fábula mostra que o que não se reprime no início aumenta cada vez mais.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 368