Esopo 224

As lebres e as rãs

Cientes da própria covardia, as lebres concluíram que deviam se jogar de um precipício e, então, rumaram para o topo de uma ribanceira, que ia dar num brejo. E as rãs desse brejo, tão logo ouviram o tropel das lebres, se mandaram para o fundo da água. Foi então que uma das lebres as viu fazendo isso e disse para as demais: “Nada de nos lançarmos nessa fundura! Pois acabamos de descobrir que existem animais bem mais covardes do que nós!”.

Assim, também, para os homens, as desgraças alheias se tornam consolo para as infelicidades pessoais.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 325

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