Esopo 193

O lavrador e a cobra

Enquanto rastejava, uma cobra matou o filho de um lavrador. Profundamente angustiado com isso, o lavrador pegou um machado, foi para junto da toca da cobra e ficou vigiando a fim de golpeá-la, tão logo ela viesse para fora. Assim que a cobra apontou, ele deu uma machadada, que não acertou a cobra, mas fendeu um bloco de pedra que havia lá. E, depois, ele propôs, por via das dúvidas, que ambos fizessem as pazes. Então ela disse: “Mas nem eu consigo estar de bem com você quando vejo a pedra fendida, nem você comigo quando olha para o túmulo de seu filho”.

A fábula mostra que as grandes inimizades não têm fácil reconciliação.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 288

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