O homem covarde que achou um leão de ouro
Um avarento covarde achou um leão de ouro e pôs-se a dizer: “Não sei como agir nesta situação. Estou aturdido e não sei o que fazer. Sinto-me dividido entre o amor ao dinheiro e a covardia inata. Quem teria feito um leão de ouro, algum acaso ou alguma divindade? Minha alma se digladia diante desta situação: ela ama o ouro, mas tem medo do artefato feito com o ouro. O desejo me impele a agarrá-lo e meu caráter, a afastar-me dele. Ó acaso que concede e que impede de aceitar! Ó tesouro que não dá prazer! Ó graça divina que se converte em desgraça! O que fazer? Como servir-me dele? A que expediente devo recorrer? Pois bem, vou embora e voltarei aqui trazendo todos os meus servos e, com a colaboração de tanta gente, vou pegá-lo. Só que eu mesmo ficarei assistindo de longe!”.
A fábula se aplica a uma pessoa rica que não tem coragem de tocar em seus bens e usufruir deles.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 246