Esopo 136

O gaio e os pássaros

Zeus, pretendendo instituir o rei dos pássaros, marcou uma data em que eles deveriam se apresentar como canditados. Então, um gaio, consciente de que não tinha chance devido à sua feiura, aproximou-se, recolheu as penas que caíam de outros pássaros e prendeu-as ao redor de seu corpo. Quando chegou o dia marcado, o gaio, multicolorido, foi também até Zeus. Mas na hora em que Zeus estava prestes a levantar a mão para designar rei o gaio por conta de seu esplêndido visual, os pássaros indignados o rodearam e cada um arrancou dele a pena que lhe pertencia. Então, aconteceu que ele, depenado, voltou a ser gaio.

Assim, também, os homens devedores, enquanto estão com a riqueza alheia, acham que são os tais, mas quando a devolvem mostram ser exatamente o que eram desde o início.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 206

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