Esopo 99

A cigarra e a raposa

Uma cigarra estava cantando no alto de uma árvore, quando uma raposa, ávida por comê-la, arquitetou o seguinte: parada diante da cigarra, ficou admirando sua bela voz e incentivando-a a descer, dizendo que queria ver de que tamanho era o animal que emitia um som tão alto. Suspeitando da armadilha, a cigarra arrancou uma folha e deixou-a cair. A raposa correu para a folha, pensando que fosse a cigarra. Esta, então, lhe disse: “Mas você se enganou, minha cara, se achava que eu iria descer. É que eu fico esperta com vocês, desde o dia em que avistei asas de cigarras nos excrementos de uma raposa”.

[A fábula mostra] Que para os homens prudentes as desgraças do próximo são instrutivas.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 155

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