Esopo 47

O burro que felicitava o cavalo

[A fábula mostra] Que não devemos invejar os ricos e os que estão no poder, mas, levando em conta que eles são alvo de inveja e de ameaças, devemos estimar a pobreza, mãe da tranquilidade.

Um burro se pôs a felicitar o cavalo, por este receber alimento e cuidados especiais, e a deplorar a si mesmo e a sua sorte, dizendo que carregava fardos pesados e recebia pouca comida, ao passo que o cavalo, adornado de rédeas e testeiras, realizava percursos leves. Ia o burro tecendo tais considerações, quando sobreveio o tempo da guerra. Foi então que o general montou com suas armas no cavalo e o tocou para o campo dos inimigos. E o cavalo, ferido por golpes de espadas, acabou jazendo agonizante. Então o burro mudou de opinião e teve pena do cavalo.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 91

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