Esopo 24

O bandido e a amoreira

Um bandido matou um homem numa estrada e, ao ver-se perseguido pelas pessoas que ali estavam, abandonou-o e fugiu, manchado de sangue. Nisso, uns viandantes que vinham em sentido contrário lhe perguntaram com o que ele tinha manchado as mãos. Ele respondeu que tinha acabado de descer de uma amoreira. Enquanto dizia isso, seus perseguidores o alcançaram e, depois de agarrá-lo, penduraram-no numa amoreira. Esta, então, lhe disse: “Mas eu não me importo em colaborar com sua morte, pois você cometeu um crime e depois tentou limpar as mãos em mim”.

Assim, muitas vezes também os honestos por natureza, quando alguns os confundem com os vis, não hesitam em agir com perversidade.

Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 63

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