A águia de asas depenadas e a raposa
[A fábula mostra] Que é preciso oferecer boas recompensas aos benfeitores e afastar com prudência os perversos.
Certa vez, uma águia foi apanhada por um homem que cortou rente as penas de suas asas e deixou-a vivendo em casa com as galinhas. Envergonhada, ela de tristeza nada comia. Era qual um rei aprisionado. Mas outra pessoa a comprou do homem, arrancou-lhe as penas cortadas e, depois de esfregar nela unguento de mirra, fê-la emplumar. Então ela alçou voo, apanhou com as garras uma lebre e levou-a de presente para o dono. Ao ver isso, uma raposa lhe disse: “Dê presentes não a esse dono, mas ao anterior. Esse é bom por natureza, mas é o outro que você deve de preferência cativar, para ele não deixar você sem penas, caso venha a apanhá-la de novo”.
Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 39